Não sei o que escrever. Na realidade, esta é a décima primeira tentativa de colocar algo no papel. Escrevo. Jogo fora. Escrevo. Jogo fora. Escrevo. Jogo fora. Repetitivo não? É engraçado como notamos a repetição de palavras em um texto, mas não notamos a repetições de ações em nossas vidas. Deixe-me adivinhar, você levantou, tomou seu café apressadamente, pois certamente estava atrasado. Foi para o trabalho/ escola. Sentou-se. Fingiu prestar atenção nas folhas que estavam em sua frente, até porque, mesmo que o conteúdo que preenchem suas linhas é diferente daqueles que preenchiam ontem continua sendo conteúdo e a folha de papel continua sendo de papel o mesmo papel que todo dia está na porta da sua geladeira contendo a mesma lista de compras que você utilizou no mês passado por mais que escreveu uma nova lista de compras no mesmo papel com os mesmos produtos que escolhe periodicamente ano após ano e que raramente trocam de lugar na prateleira porque você acostumou-se a frequentar o mesmo supermercado pelo fato de se sentir em casa e por simplesmente temer a mudança e a adrenalina que ela causa. Não, eu não utilizei uma vírgula sequer na oração pelo simples fato de que, assim como a frase, a nossa vida corre. Corre tanto que nosso corpo não consegue acompanhar. Nossa mente não consegue suportar. Chega um momento que a rotina torna-se uma palavra que se repete muitas vezes na redação e que faz perder a organização do texto. Mas, rotina não é organização? Não é ter uma lista de coisas para fazer? Ou uma lista de coisas para olhar? Ou uma lista de coisas para comprar? Mas e uma lista de coisas que quer sentir? Será que a rotina nos permite pensar no que queremos sentir, agora?
Flor do Século

Há uma flor perdida no campo.
O vento sopra contra sua singularidade.
Seu perfume natural que decora as
primaveras,
contrasta com a flor industrial
da cidade.
Pétala por pétala.
Sépala por sépala.
Humanidade por humanidade .
Sobra apenas o cabo da flor
e a ausência de pessoas de
verdade.
Somos homens sem rumo.
Sem remo.
Somos nós,
Que sufocam o “nós”
E se enforcam com a corda do ódio.
Somos flores ressecadas,
Pelas queimaduras das calçadas,
E que não se importam em dar
facadas,
Apenas para subir no pódio.
Somos os espinhos das flores,
Somos os sugadores das cores,
O mais colorido tornou-se o preto
e branco,
Pois olhamos para tudo e não
avistamos nada.
Estamos cegos pelas telas.
Estamos presos em celas.
Que abrigam sociedades alienadas.
Oh, flor do século,
Por que tão cheia de
negatividade?
Será que é a inexistência do “bem
me quer”
Nesse mundo só de maldade?
A sua alma luta por paz,
Mas as suas pétalas só travam
guerras.
A sua essência clama por justiça,
Mas as suas pétalas completam
todas as injustiças da Terra.
Há pétalas roubando a ingenuidade
do povo,
Outras a sua esperança de
florescer.
Há pétalas que abusam de outras
pétalas
Ou as impedem de nascer.
Há pétalas que destroem lares.
Assassinam pares,
Apenas por prazer.
O buraco

O buraco
O buraco não tem forma
não tem forma de buraco,
não tem forma de buraco negro,
não tem forma de buraco fundo,
não tem forma de buraco do mundo,
é apenas um buraco.
É apenas um buraco
um buraco é, apenas
não tem pena quem o cava,
não tem casa quem o enche,
só tem asas quem o acha,
ainda que, não jogue serpentes.
O buraco não tem cor
incolor é o buraco.
No buraco tinha amor,
tinha flor,
tinha odor,
mas só tem dor
no tal buraco.
No buraco é só vazio.
Não tem nada no buraco.
Nada que faça nadar
contra a correnteza pra se salvar
da escuridão do buraco.
No buraco você se afoga,
no buraco perde a fala,
no buraco você se joga e
joga terra sobre as salas.
Ali o buraco se torna,
flor regada
de lágrimas salgadas,
quarto de hóspedes,
taberna velha
cheia de ratos pelas entradas.
Aviso

-Aviso-
Boa noite leitores(se ainda existe algum), venho comunicar que me ausentarei de escrever por um período de tempo indeterminado devido a questões particulares. Não vou retirar o blog do ar para caso alguém ainda quiser ler o que já for postado mas anunciarei quando o blog voltar a funcionar. Então é isso, obrigada por quem acompanha ou acompanhou. Abraço grande a todos.
Uma crônica nada autêntica

Muitas pessoas já devem lhe ter dito que seu projeto está
bom, entretanto, que falta um pouco mais de autenticidade. Devem lhe ter dito
que o seu texto, aquele que expressou os sentimentos mais ocultos do seu ser,
na verdade, apresenta uma semelhança muito grande com outro texto circulante
pelas vias sociais. Lembra-se daquela festa da cidade, em que todo mundo que
você conheceu quando tinha 5 anos, apertou suas bochechas e falou: Nossa, está
a cara da sua mãe? Lembra? E suas roupas? Já comprou uma blusa nova para não
ter que sair pelas ruas e se deparar com outras três pessoas usando igual? Bom,
autenticidade. Autenticidade é uma palavra que buscamos atingir a vida toda,
mas que se transforma em uma tarefa quase impossível em um mundo tão diversificadamente
igual.
Coliseu da alma

Você é a fera ou é o guerreiro?
Nossa alma é nosso eterno coliseu. Nossa vida é o espetáculo principal. Os indivíduos
que nos cercam são meros espectadores do que se passa em nossa mente ou em
nosso coração. Se for guerreiro, luta. É um escravo do tempo e do trabalho. É o
escravo que nossa sociedade transformou. Vive para se defender. Defende-se para
viver. É o retrato de todos aqueles que tentam escapar de cada fera que os perseguem.
Cada dor que os faz querer gritar. Cada medo que o domina no campo de batalha
ou na própria vida cotidiana. É retrato dos que passam fome, mas não morrem
dela. Dos que sofrem injustiças, mas não matam por justiça. Dos que sentem frio
á noite, mas não odeiam a madrugada. É saber que nesse coliseu ou você aprende
a se defender ou você morre. É reverenciar a multidão mesmo que ela deseje que
você parta. Se for a fera, ataca. A fera percorre os que querem paz. Ela é a
porta de entrada para o coliseu. É a participante ativa da competição acirrada
que a sociedade impõe. Preocupa-se demais com os resultados. Os fins, para ela,
justificam os meios. Não sente medo de
ferir aquele que luta. Não sente pena daquele que está ferido ao seu lado.
Ataca. Apenas, ataca. É seu instinto atacar. Sentir a dor mesmo que não a veja.
Causar o corte mesmo que não cicatrize.
A sombra

A nossa sombra é uma
parte incomum de nós. Mas ela é. Tem nossa silhueta, de forma distorcida, mas
tem. Demonstra nossas ações refletidas na escuridão que paira sobre o chão. Demonstra.
Mas, já imaginou o quão incrível seria se pudéssemos enxergar apenas nossas
sombras? Para alguns seria muito difícil ser alguém sociável. As marcas de suas
roupas, de seus celulares e aparelhos em geral não poderiam ser vistas. Seria
preciso inovar no figurino para conseguir chamar um pouco a atenção. Quem sabe
usar um chapéu em formato de foguete espacial para a sombra transparecer.
Outros não poderão mais ser classificados como “apenas bonitos”. A beleza não
os fará conquistar corações. Amigos. Atingir algum sucesso. Ela simplesmente
será apagada pela sombra, tão específica, mas tão igual a todas. Seria
necessário ser verdadeiro. O tempo todo. Para o mundo não se tornar um caos.
Tudo bem, nos vemos nos olhos. Tocamo-nos. Sentimos o lábio tremer ao mentir.
Mas quando o olhar é profundo e verdadeiro é como se conseguíssemos ler a alma
um do outro.
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Um pouco de tudo que sou ou muito do que quero ser. Apenas um canto para poder ser através da minha escrita.